Por: Manuel Calado
Estão definitivamente na moda e ao que tudo indica vieram para ficar. Não há produto alimentar que não apresente neste momento uma versão denominada gourmet. Vinhos, compotas, massas, pães, e até babatas fritas e águas, aparecem cada vez mais nas prateleiras dos supermercados, publicitadas em versões gourmet.
Mas afinal, o que é isto do gourmet?
Gourmet é o nome que se dá a uma cozinha ou produto alimentar que estejam relacionados com o termo “alta cozinha” (haute cuisine, em francês) evocando um ideal cultural, associado, normalmente, à arte culinária. Por conseguinte, um queijo ou um vinho diz-se gourmet quando este é de alta qualidade e está reservado a paladares mais avançados e a experiências gastronómicas mais elaboradas.
Obviamente que todos terão o direito ao consumo deste tipo de produtos, mas, por mais que queiram fazer-nos crer do contrário, este tipo de produtos não está ao alcance de qualquer um.
O que acontece nos dias de hoje nos nossos supermercados não é a democratização dos produtos gourmet, mas sim a banalização fraudulenta do termo. Como os produtos catalogados de gourmet são naturalmente mais caros do que os seus equivalentes não gourmet (devido à excelência dos seus ingredientes e dos seus processos de fabrico), os fabricantes resolveram mudar as regras e dispararam a produzir produtos a que eles chamaram e gourmet, quando, na verdade, não passam de produtos praticamente idênticos àqueles que já comercializavam. Inventam umas embalagens mais bonitas, de bom gosto, requintadas e vendem o produto ao preço da embalagem.Quanto muito há uma ligeira alteração da quantidade ou tipo de ingredientes utilizados.
Em tempos, surgiu no nosso comércio uma situação muito semelhante, quando os produtores começaram a lançar os produtos light sem qualquer tipo de controlo, fazendo o consumidor acreditar de que estaria a consumir produtos mais pobres em gordura e açúcares, o que na maior parte dos casos não correspondia à verdade. Hoje essas situações são fiscalizadas e não há margem para enganos. Resta-nos esperar até que o mesmo venha a acontecer com os produtos gourmet.
A variável qualidade inerente ao produto gourmet não se limita ao seu paladar, sabor ou aroma. Distingue-se, para além da embalagem, pela sua forma de produção, pela sua idade, pela sua especialidade, ou pelo tipo de matéria-primas usadas na sua confecção.
Não julgue estar a consumir batatas-fritas, enchidos, bolachas ou compotas gourmet apenas porque isso vem indicado na embalagem. Normalmente é aí mesmo que estão as respostas: Na embalagem! Repare nos ingredientes, pegue num outro produto semelhante não-gourmet e compare.
A única diferença é o preço…


