Direito à indignação
A CDU Coruche fez uma proposta de contenção de despesas onde incluía o corte de toda a publicidade na comunicação social local, com excepção para a Rádio Voz do Sorraia. É aqui que, como directora deste jornal, entra o meu direito à indignação, direito este criado pelo Mário Soares, mas que se alargou a todos quanto se querem mostrar indignados.
Indignada por esta proposta vir na contramão da ideologia da CDU, que costuma defender o emprego e levantar a bandeira das pequenas empresas. Ora, o corte da publicidade, de autarquias como a Câmara Municipal de Coruche, pode significar o despedimento de colaboradores que vão engrossar as fileiras do desemprego.
Por outro lado, não é compreensível que se faça discriminação entre a rádio e os jornais impressos, pois cada veículo de comunicação tem importância dentro da comunidade. A imprensa escrita é fundamental nas sociedades, e desde a sua criação, tem sido da máxima importância no desenvolvimento da consciência social e na formação da opinião pública. Permitem a reflexão já que se distinguem do consumo de notícia efémera.
Os jornais locais são meios de propagação da cultura local, dão voz à comunidade, fomentam e estabelecem o debate de ideias, oferecem diversas perspectivas e opiniões, só por isto vale a pena existirem e serem apoiados. São essenciais à participação, ultrapassam as fronteiras dos custos porque são meios de democratização ao alcance das populações.
Por tudo isto, e por muito mais que podia ser dito, aqui fica a minha indignação! »
Florbela Machado. Directora do Jornal “Mais Região”


